CURIOSIDADES

A lei da seleção natural

Tamanho (não) é documento.

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Tratando–se de certos esportes, o tamanho é, sim, documento. No basquete e no vôlei, por exemplo, a estatura é primordial para o sucesso do atleta. Nas "peneiras" dessas modalidades, os jogadores de melhor biotipo (pernas e braços compridos, quadril alto e tornozelos finos) saem na frente dos demais, antes mesmo de tocarem na bola, enquanto os baixinhos são sumariamente dispensados. Não adianta contestar, meninos e meninas esquios têm preferência. Parece cruel, mas é fato.

O preconceito com a altura nesses esporte é grande. Carregar a pecha de "tampinha", ou outros adjetivos nada agradáveis, é um martírio. Por isso, muitas vezes, os pais de crianças normais, porém baixas, procuram auxílio médico em busca do milagre do crescimento. Nenhum medicamento altera a genética do desenvolvimento. Futuramente, quem sabe, com o avanço da engenharia genética e do Projeto Genoma Humano, os pais poderão programar a altura de seus filhos.

Em circunstâncias normais, o sono de boa qualidade (pico de produção do GH - hormônio do crescimento - ocorre durante o sono), as atividades físicas e uma alientação saudável ajudam no crescimento dos jovens. Mas o fator determinante é a herança genética. Já treinei atletas de origem humilde que tiveram deficiências nutricionais na infância e, mesmo assim, alcançaram estaturas acima dos 2 m na fase adulta, enquanto outros, criados com dietas balanceadas, não chegaram a 1,70 m. Ninguém cresce além de seu potencial genético definido por meio de suas características familiares.

Para se destacar no basquete e no vôlei, esportes que privilegiam os indivíduos longilíneos, o atleta deverá estar próximo ou, de preferência, acima dos 2 m na fase adulta. Existem esportes em a exigência é contrária, como, por exemplo, na ginástica artística: o ginasta deverá ser brevelíneo e medir em torno de 1,60 m (homens) e 1,50 m (mulheres). A ex-atleta Daiane dos Santos mede 1,44 m. Convenhamos, com essa altura ela não teria sucesso se jogasse basquete ou vôlei. Como ginasta, ela foi destaque internacional. Imagine Lionel Messi, de 1,69 m e 67 kg, disputando um rebote com o astro do basquete da NBA Roy Hibbert, de 2,18 m e 130 kg. O efeito causado pelo choque entre os dois corpos seria comparado ao da colisão frontal de um fusquinha com um A380, da Airbus, maior avião de passageiros do mundo. Não sobraria nada do craque agentino. No entanto, no futebol, ele nos encanta com seus dribles e gols geniais. Vale ressaltar que cada modalidade esportiva requer um biotipo específica. A compleição física exigida por um esporte nem sempre é adequada a outro.

A lei da seleção natural é inexorável. De maneira implacável, ela se encarrega de selecionar os atletas de melhor biotipo, de acordo com a especificidade de cada esporte. Segundo Chales Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio tem maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados.


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Carlos Eduardo Guilherme (Pacome)

Ex-técnico de voleibol com vasta experiência no esporte nacional desde a iniciação até o profissional. Foi treinador do Minas Tenis Clube por mais de 30 anos além de escritor e filósofo.