CURIOSIDADES

Aposentadoria do atleta

A velhice da juventude.

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"O jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar". A frase de Paulo Roberto Falcão serve para sintetizar os problemas pelos quais um atleta profissional passa quando abandona o glamour do esporte. Não é só jogador de futebol que morre duas vezes, mas sim todos os demais atletas de todas as modalidades esportivas. Os esportes são correlatos, ou seja, as mazelas são as mesmas. O que muda, na verdade, é só a maneira de praticá-los. 

Quando o atleta "pendura as chuteiras", o que fazer? Alguns encerram a carreira despreparados para outras atividades. Normalmente, ele não tem conhecimento da realidade do mundo aqui fora. Com os atletas profissionais, de modo geral, o dinheiro entra fácil e, muitas vezes, sai fácil. Para as estrelas do esporte, acostumadas com o assédio de fãs e da imprensa, é penoso cair no anonimato de uma hora para outra. Após a aposentadoria, longe dos holofotes e das badalações, o atleta tende a ficar deprimido. As consequências se agravam quando une a todos esses fatores a questão financeira. Espantosamente, o que mais me intriga é como alguns deles, depois que param, conseguem ficar literalmente falidos. Não é raro vermos ex-atletas encerrarem suas carreiras caindo no ostracismo, enveredando pelo alcoolismo ou pelas drogas, quando não morrem prematuramente. 

A idade chega com as dores, e os atletas são forçados a abandornar o que mais gostam de fazer. Talvez eles até quisessem jogar por mais um tempo, mas o cansaço e as dores aumentam, e, na maioria da vezes, o corpo já não odedece com tanta precisão à execução dos movimentos técnicos de outrora. Nessa fase, a musculatura não acompanha com exatidão os estímulos enviados pelo cérebro.

O fantasma da aposentadoris começa a assustar os atletas com perda de massa muscular. Essa perda de massa e força na musculatura com o envelhecimento é chamada de "sarcopenia". Isso ocorre por volta dos 30 anos de idade. Ness período, a perda ainda é pequena, mas para um atleta de alta performance pode ser decisiva. Os "culpados" são os hormônios ananbólicos (a testosterona, o GH - hormônio do crescimento - a insulina e  o IGF-1), responsáveis pela manutenção  dos músculos. Entre os 30 e os 40 anos, a produção desses hormônios cai, e o desgaste do tecido muscular ultrapassa a capacidade do organismo de regenerá-los. Os primeiros efeitos da sarcopenia aparecem nas jogadas ou nas ações que dependem de "explosão muscular", como a potência e a velocidade de reação. As chances de lesão também aumentam, pois com menos massa muscular as articulações ficam mais vulneráveis. 

Para piorar, por volta dos 40 anos, até a capacidade visual começa a diminuir, principalmente a visão de perto - presbiopia -, já que a musculatura envolvida no sistema ocular também enfraquece. Corrobora-se o provérbio chinês: "Os 40 anos são a velhice da juventude; os 50 são a juventude da velhice".


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Carlos Eduardo Guilherme (Pacome)

Ex-técnico de voleibol com vasta experiência no esporte nacional desde a iniciação até o profissional. Foi treinador do Minas Tenis Clube por mais de 30 anos além de escritor e filósofo.