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Limites negligenciados

Pais, professores e alunos.

indisciplina

Diante de tantas agressões a professores cometidas por estudantes e, pasmem, até por pais de alunos, confesso: estou aterrorizado e perplexo com tanta violência e falta de respeito. Em meu tempo de aluno, eram simplismente inadimissíveis tais atitudes. Motivo: antigamente competia à família a formação do indivíduo. À escola cabia a missão da educação intelectual. Nos últimos anos, ela tem assumido uma função que não é somente de sua responsabilidade: preparar os jovens para a vida. Alguns pais delegam às escolas a obrigação de educar seus filhos. Mas, por melhor que sejam as escolas, não tiram dos pais tal responsabilidade. Afinal, criá-los não é só provê-los. É muito mais.

Hoje em dia, os pais trabalharm muito e passam menos tempo com seus filhos. Quando chegam do trabalho, estão muito mais cansados para estabelcer regras, limites, normas de boa convivência e disciplina. Infelizmente, têm pouco tempo para os filhos. Muitas vezes, por omissão e ausência, tornam-se permissivos e tolerantes. Pela falta de autoridade, receiam impor limites aos filhos. Temem que eles fiquem traumatizados ou revoltados.

Na verdade, os jovens clamam por limites. Como isso não acontece, tornam-se indisciplinados, mal-educados e irresponsáveis. São mimados, criados com muitos direitos e pouquíssimos deveres. Da educação da criança depende o futuro da humanidade. Pitágoras afirmou: "Eduque as crianças e não será necessário punir o homem".

Há tempos, educadores, professores e psicólogos têm alertado sobre a crescente dificuldade de se imporem limites a jovens e adolescentes, sobre a arrogância da garotada, que descamba para o desrespeito e violência, sobre o consumo excessivo de drogas, principalmente o álcool.

Os noticiários policiais estão repletos de jovens que usam de extrema violência no trânsito, nos bares, nos colégios, etc. Tudo isso com a absurda conivência de pais e autoridades. São considerados "filhinhos de papai". Para eles, vale tudo; para os outros, os rigores e os ditames da lei. A propósito, segundo estudiosos do assunto, o Estatuto da Criança e do Alescente precisa urgentemente ser reformulado.

Antigamente, acreditava-se que eram o freio e a espora que faziam um bom cavalo. Os tempos, home, são outros. Amigo meu adverte: "Quem dá pão dá o castigo". Não vamos exagerar! Limites são necessários e importantes, mas o castigo físico é inaceitável.

A verdade é que, para alguns pais, os filhos nunca erram. O errado é sempre o outro. Devemos admitir: nossos filhos erram, assim como erram os filhos dos outros. Durante mais de três décadas como professor, percebi que alguns pais acham seus filhos mais inteligentes, os máximos e, às vezes, o mais bonitos. Se o professor não concorda, é melhor ficar calado para evitar brigas. Agindo assim, em minha modesta opinião, os pais, além de superproteger os filhos, fomentam ainda mais a falta de limites.


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Carlos Eduardo Guilherme (Pacome)

Ex-técnico de voleibol com vasta experiência no esporte nacional desde a iniciação até o profissional. Foi treinador do Minas Tenis Clube por mais de 30 anos além de escritor e filósofo.