CURIOSIDADES

O "MASCARADO"

Soberba e ostentação no esporte.

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Quem nunca ouviu a expressão "mascarado", que é a prova mais clássica da soberba? Vamos definí-la ao pé da letra: é a palavra usada na gíria esportiva para identificar o atleta que não tem a exata noção do seu valor. Além de se ver como celebridade, ele se julga também o mais eficiente, o único insubstituível e, às vezes, o mais bonito.

A figura do "mascarado" não é privilégio deste ou daquele esporte. Essa "fera" é figurinha carimbada em todas as modadlidades esportivas. O termo é também usado fora do ambiente esportivo, com o mesmo sentido genérico, para identificar qualquer indivíduo presunçoso.

Esse atleta, quando consegue fama e dinheiro, compra carros possantes, dá entrevista na TV, se exibe com mulheres bonitas - geralmente loiras ou oxigenadas -, tatua o corpo, usa joias caras, entre outras futilidades. Muda radicalmente seu comportamento, tornando-se execivamente vaidoso, antipático e arrogante. Muda a maneira de falar, de se vestir, de se pentear, de andar e de se relacionar com as pessoas. E, assim, torna-se antipático diante da opinião pública. Mal sabe ele que o que desperta simpatia e admiração são justamente a modéstia, a humildade e cavalheirismo. Valores que o "mascarado" desconhece.

Embora os técnicos não visem nenhuma retribuição por parte desses atletas, sentem-se recompensados quando esses atletas alcançam o estrelato. Sua maior decepção, no entanto, ocorre quando percebem que, naquele período, nem sempre os atletas tem gratidão pelo seu técnico nem pelo clube. No auge da fama, tornam-se muitas vezes, pessoas de difícil relacionamento com o grupo e com todos que o cercam..

Curiosamente, em início de carreira, ele costuma ser dócil e humilde. Entretanto, ao se tornar famoso, transforma todas essas preciosas qualidades em petulância. É impressionante como se torna exigente. Reclama de tudo: do hotel, da alimentação, dos horários de treinos e jogos, do sistema tático, da arbitragem, dos colegas de equipe, etc.

Com a fama, muitas vezes acometido por amnésia esportiva, se esquece dos amigos e das pessoas que o ajudaram na vida. Inacreditavelmente, muitos deles, quando chegam no estrelato, acham que são Deus, enquanto outros tem absoluta certeza disso.

No ambiente esportivo, no qual o dinheiro, a fama e a vaidade acirram a competição, alguns atletas perdem a ética e o escrúpulo e se deixam cair na armadilha da inveja e do egoísmo. A competitividade revela o melhor dos produtos e o pior das pessoas. Esta é uma triste constatação: a maioria dos atletas, depois do sucesso, torna-se mal agradecida.

Ao final da carreira, ironicamente, as mesmas pessoas que inflaram seus egos, por interesse e oportunismo, ou a mídia que construiu o mito para fins profissionais, são as primeiras a abandoná-los ao menor sinal de declínio. Todavia, é oportuno registrar que existe um seleto grupo de atletas que atravessa toda a trajetória esportiva  com classe digna de louvor.


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Carlos Eduardo Guilherme (Pacome)

Ex-técnico de voleibol com vasta experiência no esporte nacional desde a iniciação até o profissional. Foi treinador do Minas Tenis Clube por mais de 30 anos além de escritor e filósofo.